segunda-feira, 21 de maio de 2012

Seus olhos negros




Seus olhos negros
Uma áurea azul
De vivo luzir
Estrelas incertas, que as águas
dormentes,
Do mar vão ferir;

Seus olhos negros
De noite cantando,
Mais doces que a flauta
Homem valente de olhos doces
Que quebram a minha solidão.

Áurea azul
Vivo luzir,
Meigos infantis, gentis, engraçados
Seus negros olhos.

Num jogo infantil,
Inquietos, travessos- causam tormento.
Um beijo desses olhos seus
Deve apagar a dor de um momento,
De modo gentil 

Seus olhos negros
Ás vezes luzindo, serenos, tranquilos,
Ás vezes vulcão!

Com a sua música
Seus olhos negros,
Ás vezes derramam solidão
Tão frouxo, tão fraco...

Por vezes mudo e sisudo,
Cismando mil coisas.
Não pensa - a pensar.

Nas almas virgens
Cai doce harmonia,
Samba que embala.
E de um vago desejo minha alma se veste.

Que sejam desejos
Que seja invasão.
Eu amo seus olhos negros.

Vivo fulgor
Sem pudor
Que falam de amores com tanta poesia
Que embalam a noite com tanta paixão.










 Uma adaptação da obra Seus olhos de Gonçalves Dias.

não-poema

Banho quente

Roupa quente

Remédio pra dor de dente.

Corpo colado

Abraço apertado

Beijo roubado.

Dançar um samba

Café-da-manhã na cama

Beijar quem se ama.

Ouvir um poema

Resolver um teorema

Vinho que esquenta.

Barulhinho de chuva

Mão dele na minha cintura.

Não é de rima que se faz um poema.

É de uma ideia criativa que sai de alguém e vai para o papel.

É de um barulhinho que chega no silêncio

De uma companhia que chega na solidão

Das notas de um compositor

Do improviso de um homem que dançou

Das cortas de um violão

sábado, 19 de maio de 2012

A mascara da noite

Sim, essa noite conhece todos os meus pensamentos 
Todos os meus segredos e todos os meus patéticos anseios 
Sob esse céu como uma visão azul de incenso 
As estrelas são perfumes passados que me chegam... 

Sim! Eis que é uma cidade apenas, uma cidade dourada de astros 
Aves, folhas silenciosas, sons perdidos em cores 
Nuvens como velas abertas para o tempo... 

Não sei, toda essa evocação perdida, toda essa música perdida 
É como um pressentimento de inocência, como um apelo... 
Mas para que buscar se a forma ficou no gesto esvanecida 
E se a poesia ficou dormindo nos braços de outrora... 

Como saber se é tarde, se haverá manhã para o crepúsculo 
Nesse entorpecimento, neste filtro mágico de lágrimas?






Um trecho de A mascara da noite, Vinicius de Moraes.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Eu sou a pessoa mais rica do mundo.


Eu sou a pessoa mais rica do mundo. Guardo tesouros. Convivo com dádivas. Porque pra mim pessoas são como dádivas. Presente de Deus a nós. E tesouros que guardamos. Tesouro que vale mais do que ouro. Se é que a gente pode chamar de tesouro um ouro material  guardado por aí.  Ter pessoas ao nosso redor é deixar o outro ser um presente, e ser o presente de alguém. É estar presente, é fazer junto. Quem abdica desse privilégio não desfruta da vida. Tem gente que convive pela distancia. Mesmo do outro lado do mundo nunca está sozinho(a). A saudade é como semente e dessa semente nasce uma relação forte como uma árvore. Enraizada. Que suporta ventos fortes, que sobrevive a qualquer estação. Nos esquenta no verão e armazena esperança como a água em tempo de seca. Abastece-nos quando há um deserto em nosso coração. Floresce na Primavera, dela faz nascer outras amizades..nasce um jardim de flores, onde as flores são as pessoas. Nos dão frutos no Outono, deixando cair as folhas que não valem a pena permanecer. Ás vezes é preciso jogar fora palavras, atitudes, má intenções..porque somos seres humanos e erramos. Constantemente... No Inverno esperamos. Porque amizade é o amor que nunca acaba, e amar requer espera, carregar o fardo do outro. Conter-se. Silenciar-se.

Desfrutar de uma amizade é fazer o incomum. É atender um telefone de madrugada. É sair da rotina. É sair sem ter hora pra chegar. É fazer o que é preciso, sem pensar muito. É agir. É estar em constante prontidão. É emergência compartilhada. É ouvir outras músicas. Dançar outra dança. Contemplar um outro horizonte. Desfrutar de uma amizade não é procurar no outro um amigo, é ser um. É perceber a dor sem que o outro lhe fale. É passar frio, é dar calor. É como se refrescar em um banho de mangueira em um dia de muito calor: divertido e simples. Ser amigo é ser natural. É ficar horas em uma fila enorme só pra comer um dos pratos mais famosos de um dos chefes de cozinha mais famosos do Brasil.. É olhar pra fila, olhar pro amigo. Olhar pra fila e olhar pro amigo..e ir. Pronto.  (BRIGA DE FOICE)rs (piada interna). É ser autentico. É nadar no mar e enfrentar a correnteza. Requer esforço, sacrifício, força de vontade, mas uma força gostosa, porque não nadamos sozinhos. Nessa viagem nos refrescamos, desfrutamos do sol, nos transbordamos de risos, contemplamos o horizonte e juntos conquistamos o mesmo destino, essa chegada que chamamos de: grande amizade. Amizade é interesse.  Interesse de que sejamos ricos de amor,  afeto, de presença, de beleza. Por isso é que eu sou a pessoa mais rica desse mundo. Porque tenho tudo isso. Tenho você, meu amigo(a).

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Medo do desejo



Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia?
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo?

Cecília Meireles.

terça-feira, 20 de março de 2012


As distancias

Há muita distancia entre um homem e uma mulher
As costas grudadas,
Na areia da praia.
Nuvens velozes
Como pernas numa maratona
Ou aros invisíveis,
de uma bicicleta.
Pelas montanhas francesas,
As distancias cronometradas
Pelo corredor de uma casa,
Enquanto a fúria deixa registros doloridos.
Na areia da praia
O homem sonha,
A mulher também...
A inscrição das nuvens
E nas ondas
Que ainda podem percorrer....


Por Heitor M.


sexta-feira, 16 de março de 2012


Me diz que ainda é a mesma casa

Ao menos me encontro aqui, senão

Diante de um sonho mal definido

Que me transporta e me suspende

Num lugar onde o tato é desconhecido

Não posso mais reconhecer a paisagem dessa rua

Esta sequencia de casas e prédios

E não reconhecer é algo próximo

Á pedir distância mais e mais

O antigo tornando mais alheio

A vida de uma personagem que eu não reconheço

Uma personagem que costumava ter,

meu nome.


Por
Annita Costa